quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vigilância sanitária alerta para epidemia de esporotricose no Rio, doença que contamina gatos e humanos

Segundo o órgão, nos seis primeiros meses deste ano foram registrados 824 casos de animais infectados

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A esporotricose é uma doença que afeta principalmente gatos, mas também pode atingir outros animais e seres humanos - Gustavo Stephan / Agência O Globo

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RIO - A Vigilância Sanitária iniciou uma campanha nesta quarta-feira para alertar a população sobre os riscos da esporotricose, uma doença que está contaminando os gatos, principalmente, na Zona Oeste do Rio, conforme adiantou a coluna Gente Boa. De acordo com o órgão, nos seis primeiros meses deste ano, foram registrados 824 casos de animais infectados e atendidos no Centro de Zoonoses Paulo Dacorso Filho, em Santa Cruz, e na Unidade de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, na Mangueira. Segundo a veterinária Maria Inês Dória, diretora da unidade Jorge Vaitsman, a cidade já vive uma epidemia da doença, um tipo grave de fungo que ataca os felinos e é transmitida para os humanos, provocando graves lesões na pele.— Trata-se de uma epidemia, e é preciso que os donos dos animais saibam como agir. Não há vacina contra a doença. E depois que o gato é contaminado, o tratamento é feito por via oral, com um comprimido antifúngico que precisa ser dado diariamente ao animal. É um tratamento longo e caro, por isso, as pessoas precisam ter consciência de que o melhor é evitar a contaminação — diz Maria Inês Dória.
Conhecida no passado como a doença do jardineiro, a esporotricose pode contaminar outros animais, além de gatos, explica Dória:
— Mas os gatos, pelo seu comportamento de caçador, costumam circular mais, afiando as garras em troncos de árvores, cavando em locais com terra, ficando mais expostos.
Ela esclarece que a contaminação ocorre no contato das garras do animal com material orgânico em decomposição com a presença do fungo, como cascas de árvores, palhas, farpas, espinhos e o solo. Com o fungo instalado, o felino transmite a doença através de arranhões, mordidas e contato direto com a pele lesionada. A doença pode ser mortal para o gato. Já nos seres humanos, ela tem cura, mas pode provocar lesões gravíssimas na pele.
Segundo a Vigilância Sanitária, sinais como feridas no rosto e nos membros do animais devem ser observados. Os ferimentos são profundos, não cicatrizam, geram pus e costumam progredir para o restante do corpo. A perda de apetite, apatia, emagrecimento, espirros e secreção nasal também são manifestações da doença.

O que você precisa saber sobre a doença que atinge gatos no Rio
O Centro de Zoonoses Paulo Dacorso Filho e na Unidade de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman atendem esses casos. Para levar o animal ao centro de zoonoses é necessário agendar uma consulta pelo telefone 1746. E para o atendimento na unidade de medicina veterinária, o dono pode levar o animal no endereço da Avenida Bartolomeu de Gusmão 1.120, em São Cristóvão, a partir de 7h.
De acordo com um boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde em dezembro do ano passado, o Estado do Rio de Janeiro é uma área endêmica e epidêmica para esporotricose, tipo de zoonose que tendo um aumento do número de casos e do número de municípios atingidos a cada ano.
Segundo o ndados do banco do Sistema Nacional de Agravos de Notificação do Estado do Rio de Janeiro (SINAN/RJ), nos anos de 2013 e 2014, observamos que foram notificados 587 e 474 casos respectivamente. Somando os dois anos, tivemos o total de 830 casos confirmados, 517 em 2013 e 313 em 2014. No ano de 2013, dos casos notificados suspeitos, 88,1% foram confirmados. Em 2014,. foram 66% confirmados.
O que é a doença
A doença é uma micose causada pelo fungo Sporothrix schenkii, que vive no solo e se multiplica em matéria orgânica em decomposição. Ele atinge o homem e várias espécies de animais. A infecção é normalmente adquirida pela inoculação do fungo através da pele, que pode ocorrer pelo contato com matéria orgânica vegetal onde o Sporothrix schenkii sobrevive, como também pelo contato com animais doentes ou portadores sadios.
Segundo a secretaria de saúde, a esporotricose tem sido mais relatada em gatos e sua transmissão para o homem vem crescendo muito no estado do Rio de Janeiro, seja através da arranhadura/mordedura ou do contato com lesões de gatos infectados. Também há casos de contágio pelo contato com ambiente contaminado pela presença dos animais.
O período de incubação da doença varia entre três dias até seis meses, com média de três semanas.