terça-feira, 21 de julho de 2015

ASSIM FOI O DIA DO AMIGO NO RIO GRANDE DO SUL

Alvorada21/07/2015 | 15h44

Vítima da enchente usa ônibus para recolher 140 cães abandonados

José Damião dos Santos recolheu nos últimos cinco dias 140 cachorros no Bairro Americana em Alvorada. Em um ônibus os animais recebem água e ração

Vítima da enchente usa ônibus para recolher 140 cães abandonados Diego Vara/Agencia RBS
José Damião dos Santos chegou a reunir 140 cachorros Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Com a casa alagada devido à cheia do Arroio Feijó, no Bairro Americana, em Alvorada, o carregador da Ceasa José Damião dos Santos, 48 anos, passou os últimos cinco dias recolhendo cachorros de rua e outros abandonados pelos donos durante a enchente. Até a noite de segunda-feira, ele tinha 140 cães no seu ônibus antigo da década de 1980.

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Durante a enchente, o veículo – que está sem bateria – precisou ser rebocado por um jipe até a Rua Princesa Izabel, também no Bairro Americana, onde permanece desde segunda-feira. Na manhã desta terça-feira, ainda havia 70 animais no veículo. Todos recebem ração e água graças a doações.



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— Onde eu vi cachorro, eu recolhi e trouxe para o ônibus. Eles não tem outro abrigo — conta ele, que cria 15 animais em casa.


Foto: Diego Vara/Agência RBS

Muitos dos cães têm algum tipo de doença e precisam de vacinas. Apenas um dos animais está castrado. Entre a cachorrada, de todas as raças, há oito filhotes. Assim que deixar o local, ele espera conseguir encaminhá-los para doação.  Ele está aceitando ajuda. O contato com ele pode ser feito pelo telefone (51) 89540993.

José passou a noite de segunda para terça-feira no ônibus, quando chegou até a ser mordido por um cachorros. Durante o dia, não sai do veículo para evitar que eles briguem e se machuquem.


Foto: Diego Vara/Agência RBS

Mesmo concentrado em auxiliar os animais, está abalado por sua casa, localizada a uma quadra do Arroio Feijó, estar entre as que foram totalmente invadidas pela água. Em 30 anos que mora no Bairro Americana, conta que não se recorda de ter visto enchente como esta.

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— Fiz minha casa mais alta para nunca ser alagada e eu nunca precisar sair dela _ conta ele, emocionado.

Enquanto José cuida da cachorrada, a esposa e os filhos que moram com ele estão provisoriamente na casa de parentes em Viamão.  

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DIÁRIO GAÚCHO