quinta-feira, 3 de março de 2016

Espanha: Justicia Animal denuncia o “holocausto” que os galgos sofrem em fevereiro

A Justicia Animal diz que a cada mês de fevereiro, coincidindo com o final da temporada de caça, "inúmeros galgueiros se desfazem de seus animais abandonando-os ou diretamente matando-os". A associação exige que as administrações cumpram a lei e punam os responsáveis por esses maus-tratos. 

Por François Congosto / Tradução de Flavia Luchetti

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"O holocausto dos galgos". Foi assim que a associação animalista Justicia Animal denominou a situação que sofrem estes cães quando chega fevereiro e a temporada de caça termina: "Galgos enforcados, abandonados no corredor da morte dos abrigos municipais, atropelados, mortos por inanição, etc".

A partir dos seis meses de idade, os tutores dos galgos avaliam a atitude dos animais para ver se eles se adequam à caça. Segundo Matilde Cubillo, presidente da Justicia Animal, os animais que não cumprem com as expectativas dos criadores são imediatamente descartados e aqueles que são escolhidos terão dois anos de uma "carreira profissional" porque depois deste tempo de caça eles adquirem uma série de "vícios" que faz com que sejam descartados pelos caçadores.

Passividade das administrações
A Justicia Animal denuncia "a passividade das administrações públicas que mesmo estando cientes do que está acontecendo, fecham os olhos, deixando milhares de cães indefesos, desprotegidos, exercendo uma negligência de obrigações que ultrapassa fronteiras, indignando os demais países da União Europeia".

"É vergonhoso que ainda não se tenha tomado providencias para controlar estes ‘galgueiros’ que descartam seus cães, criando sistematicamente outros para repor os exemplares. Muitos destes caçadores têm vários galgos registrados em seus nomes, mas ninguém controla o lugar onde estão nem qual será o destino desses cães; muitos animais são apanhados com um corte no pescoço devido a remoção do microchip", disse Cubillo, acrescentando que "não é tão complicado criar um sistema de controle. O que acontece é que não há vontade política para acabar com esta situação. Todas essas medidas seriam aplicáveis ao controle de todos os cães de caça, dado que infelizmente outras raças também são descartadas da mesma maneira".

Galga apreendida em Fuenlabrada, Madri
Após o aviso da Justicia Animal, em 21 de janeiro, a polícia local de Fuenlabrada apreendeu provisoriamente em uma clínica veterinária uma galga perdida com sinais de maus-tratos e extremamente magra, a que seu tutor, um galgueiro de Toledo, queria recuperar. A cadela agora se encontra no centro de proteção animal de Fuenlabrada a espera da resolução do caso.
Cubillo agradeceu a atuação da polícia local de Fuenlabrada porque "nem sempre é tomada a medida de confiscar um animal para protegê-lo de seu tutor quando há indícios de maus-tratos, muitas são as ocasiões nas quais nem a polícia nem as administrações públicas cumprem com essa tarefa de proteção".

A Presidente da associação disse que "há galgueiros que cuidam de seus cães e são respeitosos com eles, mas na realidade há muitos outros criadores que absolutamente não cuidam de seus animais".

Um intenso trabalho de terapia para os galgos recuperados
Quando um galgo maltratado é encontrado, começa o duro trabalho de resgate por parte das associações: "Nesta época, centenas de telefonemas de pessoas alertando sobre algum galgo ou cão de caça abandonado são recebidos. É um esforço grande, porque a maioria destes animais, que já sofreram maus-tratos, não deixa que seres humanos se aproximem, então as equipes de resgate devem estar preparadas com armadilhas, jaulas e outros métodos de captura, onde os vários dias de trabalho são dedicados por parte dos voluntários. Além disso, esses animais necessitam de um período de terapia até voltar a confiar no ser humano. Para as associações não só supõe recursos humanos, mas também um grande custo econômico, já que muitos destes cães de caça chegam nos abrigos após terem sido atropelados, ou estão gravemente doentes ou em estado de desnutrição severa devido a inanição sofrida durante semanas vagando pelos campos ou pela própria falta de alimentação por parte de seus tutores. Infelizmente, milhares de cães não têm a sorte de serem resgatados pelas associações e morrem cruelmente no abandono e por já não servirem para a caça no critério de seus tutores.

Para entender mais do assunto, é possível assistir o documentário “Febrero, el miedo de los galgos”, que mostra a realidade desses cães, neste link. https://vimeo.com/74956745

Espanha holocausto galgos sofrem2Foto: Documentário “Febrero, el miedo de los galgos”



Fonte: Madrid Norte 24 Horas