terça-feira, 17 de novembro de 2015

EM NOME DE QUÊ?






 
Rosangela Vegana Coelho
Sobre Mariana MG.

Gratidão eterna a todos os meus amigos que nos auxiliaram nessa que foi a missão mais difícil de minha vida.

Os dias que antecederam nossa ida foram de muito trabalho. Recebendo doação, carregando coisas pesadas, pegando a Dutra todos os dias para levar para Pinda, carro lotado... obrigada Cristiano Freitas por sua generosidade e Regiane Vanone por nos socorrer.

Quando combinamos nossa ida eu passei a meditar mais e mais mantras de cura e força. O sofrimento dos meus irmãos animais é como faca cortante em meu coração e eu precisaria estar harmonizada com energias de força e serenidade para não sentir no físico as dores desses seres que são o motivo maior da minha existência nesse tempo e espaço.


No caminho encontramos Marianinho... e paramos na estrada, descemos e corremos para salvá-lo. Ele me mordeu, seus olhos traziam desespero, acolhi em meu colo e isso foi diluindo. Não nos separamos mais. Ele me trouxe alegria em meio aquele mar de tristeza.


Chegamos em Mariana e já começamos a trabalhar. Trabalhei feito homem e amei os animais com a doçura que trago na minha alma. Chorei diversas vezes, longe, longe das pessoas. 


Senti muita tristeza nas galinhas e como desejei trazê-las todas para mim. Meu Deus, por que as pessoas ainda matam esses animais para comer? O que será delas daqui para frente? Eu me senti impotente porque não poderia mudar o destino delas. Pedi perdão, chorei, cantei para elas. Muitas chegaram mortas no galpão e ouvi pessoas fazendo piadas com ela... e pedi perdão pela insensibilidade de alguns humanos. Será que as pessoas que lutaram para salvá-las irão se conscientizar de que o Veganismo é a única proteção que podemos dar a elas e aos outros animais? Bois foram desatolados e depois serão mortos? Animais criados para abate. Vamos refletir sobre isso?
Os cavalos... amei tanto, animais tão sofridos e explorados, todos eles magros, retirados da lama pelos valentes bombeiros e equipes de resgate.


O potrinho... um bebezinho que carregava tanta dor e medo. Eu não conseguia me separar dele, abracei, beijei, cantei, fiquei horas monitorando seu soro, enquanto conversava e dava carinho. Doeu demais em mim ver esse inocente buscar leite em sua mamãe... mas ela não tinha o que oferecer para ele, ela sofreu muito. Minha alegria foi ver que veterinários competentes se uniram para salvar a vida dele. Eu fiz o que me foi determinado, segundo meu Ofício Sagrado, ajudá-lo a diluir a dor e ascender no Amor. 


Os cães, tão desesperados, exaustos, famintos. Ajudei nos canis, na alimentação, medicação, passeio e mais mantras. Cantei mantras em todas as baias.


Os gatos, criaturas místicas, captadores de energias ruis e transmutadores para uma energia mais harmonizada com saúde espiritual. Chorei demais por eles, seres de minha devoção. Fiquei horas com o bebezinho amarelinho, ele chegou extremamente agitado e sofrido. Acalmou-se no meu colo, comeu e depois dormiu.


A número 62. Ela sugou muito de mim ( eu permiti). Eu me liguei a ela e desejei muito poder trazê-la para cá, para ajudá-la na diluição do peso que traz em seus olhos. Eu farei isso por aqui, longe fisicamente mas espiritualmente perto.


Eu senti uma atmosfera de sofrimento em toda região, milhares de vidas ceifadas por uma ação humana, estamos desidratando nosso planeta e ceifando sua energia vital. Quanto perdemos de componentes bióticos? A Natureza irá recuperar isso? 


Quem chorará pelo Rio Doce que é a principal vítima desse desastre? Espécies endêmicas foram engolidas pela lama. Quantos materiais tóxicos estão sendo levados para o mar e mais morte teremos...


Dinheiro algum irá recompor isso. 


Na cidade de Mariana e região, notei a população muito tranquila e, parece, alheia, aos perigos reais caso a terceira barragem se rompa. Ação criminosa de uma imprensa comprada que não mostra a verdade?


Os humanos que mais estão sofrendo com essa tragédia são pessoas simples, pessoas do campo.
Temos muito que chorar por aqui. Queridos, essa é a maior tragédia ambiental em nosso país. Ficaremos calados? Permitiremos que mais "Rios Doces" sejam mortos?


Bem, quero render graças a Aopa Ong ProteçãoAnimal pelo imenso esforço em acolher os nossos irmãos animais. Pessoas lindas, pessoas queridas, generosas e acolhedoras. Eu me senti honrada por lutar ao lado de vocês. Carla Sássi, Jussara Souza, Luana Neves... gratidão eterna pela coragem e força que estão destinando em intenção de salvar vidas. Pretendo voltar e auxiliar nos cuidados com os resgatados.


Gratidão Dra Heloisa Marinho por sua competência como médica que ficou muito evidente naquele ambiente pós-guerra. Ser da sua equipe foi uma honra. Você é especial demais.


Gratidão Daiana Jessica Silva Ramalho, Fernanda Mendes, Dra Iva Juliane e marido. Parabéns prefeitura de São Luiz do Paraitinga por ter disponibilizado o caminhão e motoristas incríveis. 


Estou exausta. Imensamente triste pela morte de milhares seres vivos mas esperançosa de que toda essa tragédia possa romper a barreira que há no coração da humanidade e que a compaixão invada a todos.